Caros leitores
É com grande satisfação que a Electricidade do Zambeze se junta à Associação Moçambicana de Energias Renováveis (AMER) para assinalar o Mês da Mulher com uma reflexão estratégica sobre a diversidade de género e a participação activa e estruturada das mulheres no sector das energias renováveis. Num momento em que Moçambique acelera a sua transição energética, torna-se fundamental garantir que este processo seja não apenas eficiente, mas também inclusivo e representativo.
A transição energética em Moçambique não se fará apenas com megawatts instalados, mas com a capacidade de transformar o sector num espaço mais inclusivo, competitivo e alinhado com os desafios globais. Neste contexto, a promoção da igualdade de género deixa de ser um ideal aspiracional para se afirmar como um verdadeiro imperativo estratégico.
A Electricidade do Zambeze, enquanto empresa jovem moçambicana com sete anos de actuação nas áreas de Engenharia e Energias Renováveis e representante do Grupo Zambeze (Zambeze Lodge, Lda, Zambeze Limpeza e Serviços, Lda e Aves do Zambeze, Lda), reconhece que este sector foi historicamente dominado por homens. No entanto, temos uma convicção clara: o talento não tem género. Ignorar o potencial das mulheres é, na prática, limitar a capacidade de crescimento das organizações e do próprio sector energético nacional.
É com base neste entendimento que reforçámos o nosso compromisso institucional com a igualdade de género, promovendo práticas internas mais inclusivas e assumindo um posicionamento claro no mercado. Neste âmbito, formalizámos, no dia 10 de Março de 2026, uma parceria estratégica com a AMER, no quadro do programa WE4D, implementado pela GOPA Worldwide Consultants, com o apoio da União Europeia, da Cooperação Alemã através da GIZ e do Governo da Noruega. Esta parceria vai além de uma simples adesão institucional — representa um compromisso pioneiro com a promoção da participação feminina no sector energético.
Acreditamos que a diversidade é, hoje, uma das mais relevantes vantagens competitivas. Equipas diversas oferecem novos ângulos na resolução de problemas, melhoram a qualidade da tomada de decisão e elevam o desempenho organizacional. A inclusão estruturada permite optimizar processos, reduzir falhas e impulsionar a criatividade, contribuindo para uma cultura técnica mais robusta e adaptável.
No âmbito do Memorando de Entendimento com a AMER, damos início a um trabalho técnico e estruturado, que inclui a realização de uma análise de base (baseline), a definição de um Plano de Acção e um acompanhamento contínuo. A curto prazo, o foco está na transformação cultural e na adequação dos procedimentos internos. A médio prazo, antecipamos ganhos concretos em eficiência operacional, produtividade, inovação e posicionamento no mercado.
Ainda no quadro do programa WE4D, participaremos, de 15 a 16 de Abril, na Conferência Pan-Africana na Costa do Marfim — uma plataforma internacional que representa uma oportunidade estratégica para captar tendências globais, estabelecer parcerias e aceder a soluções práticas adaptáveis ao contexto moçambicano. Pretendemos não apenas partilhar a nossa experiência, mas também aprender com modelos de gestão que conciliam excelência operacional com inclusão, bem como identificar oportunidades de financiamento alinhadas com critérios ESG.
No sector energético, a sustentabilidade exige uma gestão equilibrada dos pilares económico, ambiental e social. É na dimensão social que a inclusão assume um papel transformador: elimina barreiras invisíveis, reduz conflitos laborais e fortalece o sentimento de pertença. Simultaneamente, a inclusão de mulheres contribui para uma melhor gestão de risco e segurança operacional, prevenindo acidentes e perdas financeiras. No plano ambiental, a diversidade amplia a capacidade de inovação, sendo a visão feminina particularmente relevante no desenho de soluções energéticas mais eficientes e ajustadas aos padrões de consumo.
Apesar dos avanços, persistem desafios estruturais importantes, como a resistência à liderança feminina, o reduzido incentivo para raparigas seguirem carreiras STEM, critérios de progressão baseados na antiguidade e a inadequação de infraestruturas e equipamentos. Para responder a estas barreiras, temos vindo a implementar medidas concretas, como processos de recrutamento “às cegas”, adaptação dos ambientes de trabalho e dos equipamentos de segurança, políticas inclusivas de retenção e progressão, bem como métricas de gestão para monitorar o progresso.
Internamente, destacamos iniciativas como a adaptação das condições de trabalho no terreno, a criação de condições dignas de higiene, parcerias com centros de formação técnica para estágios femininos, acções de sensibilização em contexto de obra e a distribuição equitativa de oportunidades de formação em novas tecnologias.
Importa sublinhar que a inclusão não deve ser vista apenas como responsabilidade social, mas como uma estratégia de sobrevivência e competitividade. Num mercado global cada vez mais exigente, a diversidade de pensamento está directamente ligada à capacidade de resolver problemas complexos — um factor crítico para o sucesso da transição energética. A adesão a memorandos de promoção da participação feminina representa, assim, um compromisso com a rentabilidade, com a conformidade ESG e com o acesso a financiamento internacional.
Deixamos, por isso, um apelo claro ao sector privado: que mais empresas adoptem práticas inclusivas, invistam na adaptação das suas infraestruturas, criem programas de mentoria e estabeleçam metas de recrutamento baseadas em competências. Ao fazê-lo, estarão a atrair os melhores talentos e a posicionar-se de forma competitiva num mercado onde a inclusão é cada vez mais determinante.
Olhando para os próximos 5 a 10 anos, antevemos um sector energético moçambicano onde a inclusão de género será um requisito de viabilidade económica. Um sector onde as mulheres estarão cada vez mais presentes no terreno, liderando operações e projectos estratégicos, e onde o acesso a financiamento dependerá de indicadores sólidos de diversidade.
Nesse futuro, o sucesso deixará de ser medido apenas em capacidade instalada, mas também na capacidade de reter talento, atrair investimento e inovar de forma sustentável. É com esta visão que reafirmamos o nosso compromisso: contribuir activamente para um sector energético mais inclusivo, mais competitivo e preparado para os desafios do futuro.
Autora: Haua Aboubakar, Secretária-Geral da Electricidade do Zambeze