Caros leitores,
A expansão do acesso à electricidade em Moçambique tem sido acompanhada pelo reforço do planeamento, da coordenação e das soluções para responder às diferentes necessidades do país. É neste contexto que, neste editorial, destacamos duas iniciativas que reflectem a evolução do sector: a Plataforma Integrada de Electrificação de Moçambique (PIEM), que reforça a base de informação para o planeamento, coordenação e investimento, e a 3ª edição do Fórum Bi-Anual de Energia Fora da Rede, dando continuidade ao diálogo técnico e à articulação entre os diferentes actores do sector.
Este percurso tem sido marcado por progressos importantes no acesso à electricidade, que ultrapassou 66% da população em 2025. Para alcançar o acesso universal até 2030, em alinhamento com a Estratégia Nacional de Electrificação (ENE) e com o ODS 7, será necessário continuar a fortalecer o planeamento, mobilizar investimentos e aprofundar a coordenação entre os diferentes actores do sector.
É neste contexto que o Governo de Moçambique, através do Ministério dos Recursos Minerais e Energia (MIREME), tem vindo a reforçar os instrumentos necessários para apoiar uma electrificação mais coordenada, baseada em evidências e orientada para resultados.
Um desses instrumentos é a Plataforma Integrada de Electricação de Moçambique PIEM, desenvolvida sob liderança da Unidade Integrada de Planificação e Coordenação de Electrificação (UIPCE-MIRME).
A Plataforma permite reunir, numa única interface, informação que anteriormente se encontrava dispersa em diferentes fontes e modelos. A componente de electrificação identifica, através de análise geoespacial, a tecnologia de menor custo recomendada para cada assentamento humano, enquanto outras componentes permitem analisar as necessidades de electrificação de infraestruturas sociais, o potencial de uso produtivo da energia, soluções de cozinha limpa.
Esta abordagem permite olhar para a electrificação não apenas como uma questão de acesso à energia, mas como parte de um processo mais amplo de desenvolvimento económico e social. A Plataforma permite identificar necessidades de electrificação de infraestruturas sociais, analisar condições para o desenvolvimento de mini-redes e sistemas solares residenciais autónomas (SSR), identificar oportunidades de uso produtivo da energia e acompanhar projectos em desenvolvimento, contribuindo para uma melhor articulação entre o planeamento nacional e as realidades de implementação no terreno.
Responder a estas necessidades com maior precisão é fundamental para orientar decisões públicas e privadas, melhorar a coordenação dos investimentos e acelerar a implementação, mas, dados e ferramentas, por si só, não são suficientes.
É preciso colocar a informação em diálogo com aqueles que planeiam, regulam, investem, financiam e implementam.
Foi precisamente esta necessidade de diálogo e coordenação que esteve no centro das anteriores edições do Fórum Bi-Anual de Energia Fora da Rede. Ao longo das discussões, o sector tem vindo a identificar desafios e oportunidades relacionados com o desenvolvimento de projectos, financiamento, enquadramento regulatório, concessões, tecnologias, uso produtivo da energia e necessidade de maior articulação entre o Governo e o sector privado.
A terceira edição do Fórum surge, assim, como continuidade desse processo.
Nos dias 8 e 9 de Outubro de 2026, em Maputo, o Fórum reunirá diferentes actores para aprofundar uma agenda técnica centrada nos desafios e nas oportunidades que podem acelerar a electrificação fora da rede em Moçambique.
A agenda da 3ª edição será orientada para questões centrais do desenvolvimento do sector, incluindo a apresentação da PIEM, bem como sessões temáticas sobre mini-redes, sistemas solares domésticos, clima e soluções de cozinha melhorada. Pela primeira vez, o Fórum dará também destaque aos avanços no uso produtivo da energia (PUE) e à gestão de resíduos e e-waste, reflectindo a evolução e as novas necessidades do sector. De forma transversal, serão ainda discutidas questões relacionadas com concessões, oportunidades de investimento, financiamento e mecanismos de colaboração entre o Governo, o sector privado, parceiros de desenvolvimento e outros actores, aproximando o planeamento das oportunidades concretas de implementação.
É nesta ligação entre planeamento, regulação, investimento e implementação que reside uma oportunidade importante para o sector.
Alcançar o acesso universal à electricidade até 2030 exige que avancemos não apenas mais rapidamente, mas também com melhor informação, maior coordenação e decisões orientadas para resultados.
É neste espírito que convido os diferentes actores do sector a participar nesta terceira edição do Fórum e a contribuir para uma discussão técnica, aberta e orientada para soluções que possam acelerar a electrificação fora da rede e ampliar o seu contributo para o desenvolvimento de Moçambique.
Por: Marcelina Mataveia, Directora Nacional de Energia (DNE) – MIREME.