Skip to Content

Relatório global destaca oportunidades da energia solar fora da rede para acelerar a electrificação e dinamizar o mercado em Moçambique

November 3, 2026 by
AMER
​

O Off-Grid Solar Market Trends Report 2026, divulgado pelo Banco Mundial e pela GOGLA, evidencia o crescimento do mercado solar descentralizado, as necessidades de financiamento e a importância de políticas públicas e incentivos para ampliar o acesso à energia. O documento apresenta também experiências de financiamento baseado em resultados em Moçambique.

O mercado global de energia solar fora da rede (off-grid) continua a expandir-se, consolidando-se como uma solução estratégica para ampliar o acesso à electricidade, dinamizar actividades económicas e acelerar a transição energética. Esta é uma das principais conclusões do Off-Grid Solar Market Trends Report 2026, divulgado a 27 de Outubro, durante o Global Off-Grid Solar Forum & Expo 2026, que decorreu de 27 a 29 de Outubro, no Kigali Convention Centre, em Kigali, Ruanda.

A publicação foi desenvolvida pelo Banco Mundial, através do seu Programa de Assistência à Gestão do Sector Energético (ESMAP), em parceria com a GOGLA, associação global do sector de energia solar fora da rede. O relatório analisa a evolução do mercado, os modelos de negócio, as tendências de investimento, os desafios de acessibilidade e o papel das políticas públicas na expansão das soluções solares descentralizadas.

Entre os principais resultados, o documento revela que 149 milhões de pessoas foram alcançadas por produtos solares fora da rede em 2025, representando um crescimento de 26% em relação a 2023, quando o número se situava em 118 milhões. A análise estima ainda que a energia solar fora da rede constitui a solução de menor custo para pelo menos 398 milhões de pessoas sem acesso à electricidade.

Para além da expansão do acesso à energia, o sector apresenta impactos económicos significativos. Nos últimos 15 anos, os produtos solares fora da rede terão gerado aproximadamente 28 mil milhões de dólares em rendimentos adicionais e poupanças para os consumidores. O relatório estima igualmente que 7,4 milhões de pessoas utilizam estes sistemas para apoiar microempresas e actividades geradoras de rendimento, incluindo agricultura, comércio e prestação de serviços. O mercado analisado emprega aproximadamente 219 mil pessoas, evidenciando o seu contributo para a criação de emprego e dinamização das economias locais.

Financiamento, incentivos e uso produtivo da energia entre as prioridades

Apesar do crescimento registado, o relatório identifica desafios que continuam a limitar a expansão do mercado, particularmente a capacidade financeira dos consumidores, as dificuldades de acesso ao financiamento enfrentadas pelas empresas e a concentração do investimento em determinados operadores e mercados.

Para responder a estes constrangimentos, a publicação estima que serão necessários aproximadamente 11,4 mil milhões de dólares em investimentos entre 2027 e 2030 para concretizar o potencial de acesso à energia solar fora da rede identificado. Deste montante, cerca de 1,3 mil milhões de dólares por ano deverão corresponder a subvenções e subsídios destinados a melhorar a acessibilidade, enquanto 1,6 mil milhões de dólares anuais deverão ser mobilizados através de instrumentos de financiamento, incluindo capital próprio, dívida e financiamento de recebíveis.

Entre as recomendações dirigidas aos governos, o documento destaca a importância de assegurar ambientes políticos e regulatórios estáveis, adoptar incentivos fiscais, incluindo isenções de IVA e direitos aduaneiros, e desenvolver mecanismos de apoio que reduzam os custos de aquisição dos equipamentos e estimulem o investimento privado.

O relatório atribui igualmente importância ao financiamento baseado em resultados (Results-Based Financing – RBF), ao financiamento concessional e aos instrumentos de financiamento misto (blended finance), como mecanismos para reduzir riscos, apoiar empresas e ampliar o acesso a mercados ainda pouco desenvolvidos.

Outro eixo de destaque é a promoção do uso produtivo da energia (UPE), reconhecido como uma componente fundamental para transformar o acesso à electricidade em oportunidades de geração de rendimento, criação de emprego e desenvolvimento económico. Neste contexto, a publicação destaca aplicações como irrigação solar, processamento agrícola, refrigeração e electrificação de pequenos negócios.

Moçambique entre as experiências de financiamento baseado em resultados

Para Moçambique, o relatório apresenta referências particularmente relevantes ao incluir o país entre os mercados onde programas de financiamento baseado em resultados contribuíram para acelerar a comercialização de produtos solares e ampliar o acesso à electricidade pela primeira vez.

A experiência moçambicana é enquadrada numa abordagem que procura combinar recursos públicos e financiamento concessional com a participação de empresas privadas, criando condições para expandir soluções descentralizadas e alcançar comunidades que permanecem fora do alcance da rede eléctrica convencional.

Contudo, o documento também chama a atenção para desafios observados na implementação destes mecanismos, nomeadamente critérios de elegibilidade demasiado restritivos, atrasos nos desembolsos e limitações na disponibilidade dos fundos, factores que podem comprometer a liquidez das empresas e dificultar a continuidade das operações.

Estas constatações reforçam a importância de aperfeiçoar os instrumentos de financiamento, assegurar maior previsibilidade nos desembolsos e desenvolver mecanismos acessíveis a empresas de diferentes dimensões, incluindo operadores nacionais.

A publicação destaca ainda a necessidade de integrar as soluções solares descentralizadas nos planos nacionais de electrificação, articulando a expansão da rede convencional com sistemas solares autónomos e mini-redes, de acordo com as características e os custos de atendimento de cada região.

Uma referência para o desenvolvimento do mercado nacional

Num contexto em que Moçambique procura acelerar o acesso universal à energia e mobilizar investimento privado para o desenvolvimento do sector, as conclusões do relatório oferecem referências importantes para empresas, investidores, instituições públicas e parceiros de desenvolvimento.

A publicação contribui para o debate sobre o papel das energias renováveis descentralizadas na electrificação rural, a sustentabilidade dos modelos empresariais, a mobilização de financiamento e a criação de condições para ampliar o uso produtivo da energia.

Mais do que uma alternativa à expansão da rede eléctrica, a energia solar fora da rede afirma-se como uma componente complementar das estratégias de electrificação, com potencial para dinamizar economias locais e ampliar as oportunidades de participação do sector privado na transição energética.

Aceda ao relatório completo AQUI!

AMER

Juntos pelas Energias Renováveis em Moçambique!

Sign in to leave a comment